Como se forma uma cultura de Solidariedade? Que papel joga a solidariedade na formação da cultura de uma sociedade? Com que consequências? Existe diferença entre “ser solidário” e “engajar-se como voluntário”?
As organizações do Terceiro Setor, onde se encaixam os movimentos do voluntariado organizado, constituem um personagem relativamente novo no cenário da construção democrática no Brasil. Para o grande público, para o conjunto da sociedade, um personagem pouco conhecido e, por isso, ainda pouco compreendido. Embora desempenhe um papel impactante nos enredos sociais contemporâneos, embora se preconize que este papel deva ser ainda muito ampliado, o conhecimento consolidado sobre seus fundamentos, propósitos e métodos é incipiente.
A própria conceituação do Terceiro Setor ainda não é clara. Trata-se, afinal, de um setor ou de um poder? Em países onde a sociedade civil organizada já tem uma longa história de participação democrática não parece haver lugar para esse tipo de dúvida.
A ONG Parceiros Voluntários, após dez anos de inserção marcante na vida social do Rio Grande do Sul, buscando transformação através do voluntariado organizado, propõe-se a colocar esses temas no centro de uma roda. Este livro, que tem apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, reúne experiências, visões e interpretações, inclusive estrangeiras. Mas nele nada se fecha, porque a intenção não é concluir.
Se os humanos tiveram o poder de colocar a si mesmos na condição de espécie ameaçada, devem ser capazes também de reorientar seu poder.