Em maio de 2016, mais de 150 escolas gaúchas foram ocupadas. Ao longo de um mês e meio, jovens estudantes secundaristas estiveram imersos em um movimento de inversão da ordem, no qual assumiram o controle sobre suas escolas em sua organização física e pedagógica. Estes jovens respondiam a problemas imediatos, mas também históricos, vivenciados em um cotidiano de longa precarização do ensino público. Os estudantes que investiram nesta ação coletiva renovada e experimental tiveram suas trajetórias transformadas em diferentes formas e intensidades. Desafiando a ordem, construíram uma dinâmica política autônoma e horizontalizada, ao mesmo tempo em que dialogavam e, sobretudo, confrontavam a política institucionalizada. Ao final, a luta que transita por estas páginas, é uma luta por direitos, pelo acesso a um ensino público de maior qualidade concreta e subjetiva. É uma luta para ajustar o funcionamento de uma instituição secular às expectativas dos jovens estudantes do século XXI. Uma luta por um novo sentido de escola, com uma pedagogia mais acolhedora da diversidade e mais aberta ao protagonismo jovem. Não buscaram o fim da escola, mas sua transformação. E deram passos nesse sentido. Podem ter sido passos vacilantes, talvez até limitados, mas foram passos concretos. Transformando temporariamente a escola, eles acabaram por transformar profundamente a si mesmos. Marca: Não Informado