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Apneia

(Cód. Item 1582628331)

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Em Manhattan, às vésperas de se submeter a um procedimento de eletrochoque para aplacar sua depressão, Esther, a narradora, decide contar sua história — não para apaziguar o passado, mas para preservá-lo da ameaça do esquecimento. Dessa escrita emerge um arquivo em combustão que passa pelo Sul do Brasil, pela Bessarábia, pelo Líbano, por Israel — mais de um século de diáspora que a narradora carrega no corpo. Estreia de Esther Faingold na ficção, Apneia é um romance sobre maternidade, saúde mental e sexualidade feminina, mas também sobre arte, sobre reinventar-se das cinzas. Na quarta capa, a escritora Veronica Stigger define a obra como “um romance cru e intenso” e evoca Hilda Hilst para iluminar o mergulho da narradora em si mesma: “tu não te moves de ti”. Nunca procurei adoração, e sim a rota de fuga de qualquer forma de opressão.” Em Apneia, romance de estreia de Esther Faingold, a nar¬radora tem o mesmo nome da autora. Não é jogo de espelhos, mas a própria matéria do livro, que, como uma fratura exposta, se confunde com a vida. Esther escreve sob a ameaça do apagamento neurológico — não em forma de memórias apaziguadas, mas como um arquivo em combus¬tão. Ela é uma mãe em Manhattan, às vésperas de um eletrochoque: não colapsa de súbito, mas depois de uma vida inteira afrontando a ordem familiar, religiosa, social e profissional. O peso de cada ruptura se acumula em silêncio até que ela decide es¬crever uma carta testamento para a filha adolescente. O que começa como um registro se converte em desmonte da vida, da linhagem, da língua. A autora trabalha com o que sobra da violência: o não dito, o que a linhagem se recusou a nomear. Ecoando Simone Weil, para quem nada possuímos além do poder de dizer “eu” e de destruí-lo, Apneia conversa com A redoma de vidro, de Sylvia Plath, mas vai adiante ao rastrear o colapso na linhagem — na tia avó, na mãe tomada como latrina pela família e, por fim, na própria carne. O livro recusa a linearidade e avança e recua como maré, entre um sul do Brasil opressivo — onde a narradora é criada por avós herméticos e por uma tia avó congelada em um único gesto — e a adolescência em Israel que logo se converte em um pesadelo, enquanto, no presente em Nova York, ela rasga o próprio percurso e o remonta em estilhaços: “Qual a diferença entre Manhattan e o cu de uma cobra?”
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