Quem le^ Cacadores de Po^r do Sol No Caminho de Poesia se depara com uma peca literaria de incomum teor filosofico. Uma prosa curiosa e lisergicamente proustiana, a` altura desta primeira quadra do seculo XXI e de suas tende^ncias a` amnesia. O enredo, que se delineia aos poucos, opera como propede^utica a uma viagem simultaneamente lucida e alucinatoria, nada sobria e quase onirica, a se insinuar tal qual um formigamento na espinha de quem a le^, onde coisas ta~o banais quanto vidros de whisky, xicaras de cha e dialogos familiares, desvelam sua maxima realidade magica e enigmatica. Um livro de viagem cuja prosa, ao eleger como temas vertebrais a conscie^ncia e a memoria em seu vigor critico e criativo, se costura como remendo a um mundo desencantado e em constante dilaceramento. Onde, na verdade, cada um de seus episodios (ou capitulos) funcionam como uma sucessa~o de remendos a`queles rela^mpagos inconclusos de memoria que a narrativa sempre procura dar nexo, mas que nesse esforco revela, ainda mais, a vertigem encontrada pela propria linguagem em seus limites logicos e mnemologicos. O momento decisivo em que tanto a conscie^ncia quanto a linguagem encontram uma ruidosa interfere^ncia? constitutiva no trato da lembranca. Como reparar o que e, por definica~o, disperso e arruinado? Ha algum fio de Ariadne capaz de atar passados inconclusos e um futuro desde ja perdido? Nesse intento ousado e talvez inglorio, a voz narradora discorre sobre si e seus encontros com fragmentos do mundo, na~o em um fluxo de conscie^ncia assimilavel, mas numa especie mais espessa de fluido de conscie^ncia, mimetizando a forma atraves da qual o plasma do mundo se suaviza e adentra, inconvidado, em nos.
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