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Escrevo seu nome no arroz

(Cód. Item 1572265192)

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Em uma cidade na zona rural, de terra vermelha e com uma figueira num descampado, dois irmãos agora órfãos enterram a mãe. Simão, o mais velho, é dado às marras e confusões e protege o caçula, mais sensível, das hostilidades alheias. O menor é gago e, embora não consiga pronunciar trava-línguas, narra o romance em capítulos curtos com seu pensamento “sem rebarba” e uma linguagem única, que situa Caetano Romão entre os grandes prosadores de sua geração. Um dos irmãos tem como amuleto o nome gravado no arroz, o outro não desgruda de seu baralho. Os dois têm casa, caminhonete, gato e um ao outro, pois, como afirma Andrea del Fuego na orelha do livro, “o afeto é um jeito de esquecer a terra que aguarda seus corpos”. Eles estão unidos pelo ritmo do cotidiano e coreografam seus gestos, sombras e mistérios até que começam a escutar vozes vindas do ventre da terra, ininteligíveis e inexplicáveis, e a lógica da proteção se inverte. Simão começa a padecer de certo mal invisível, enquanto o caçula-protagonista se encarrega de curá-lo. Minucioso na limpeza e arrumação, o narrador é o responsável pelos cuidados da casa, por manter a ordem, a compreensão, a sagacidade diária. O que era fragilidade pouco viril torna-se triunfo. Mas o mundo dos sentidos explícitos não é o deste Escrevo seu nome no arroz. Romance de estreia de Caetano Romão, este livro é muito mais uma ode às linguagens, ou, como chamou Edimilson de Almeida Pereira, uma “alquimia ficcional”. Por sua prosa poética e bem-humorada, somos levados para a oralidade dos recantos do país, engolfados em um solo fértil de sabedoria popular, superstições, encantos e horrores que pairam nos quintais. Seja pelas traquinagens dos gatos, pelas curas com banhos, xaropes, unguentos e fés não ditas, seja pelos personagens que pegam carona no alumbramento da paisagem, o livro nos povoa de feitiços: os da língua e os sobrenaturais.