A luta histórica do Movimento Negro e dos ativistas dos Direitos Humanos contra o preconceito racial no Brasil evidenciou o papel do Estado e das elites na produção e reprodução de uma sociedade desigual, autoritária e violenta. O Estado no Brasil foi criado a serviço dessas elites que teve a raça, interseccionada a classe, o gênero e a sexualidade como um dos seus marcadores sociais de dominação. Assim, os crimes praticados pelo Estado, especialmente as instituições de segurança como a polícia, definiram uma gestão do território que impõe quem racialmente deve morrer e viver. Essa é a forma de como as operações policiais em favelas e periferias historicamente tem agido. A luta das mulheres Negras e pobres, especialmente mães e familiares de vítimas da violência policial, contra esse Estado não só enunciam a necropolítica e o genocídio do povo negro, mas também a construção de outras possibilidades de mundo. Este livro é fruto de uma pesquisa desenvolvida a mais de 15 anos no NEGRA - Núcleo de Estudo e Pesquisa em Geografia Regional da África e da Diáspora sobre os impactos do preconceito racial na política de segurança pública e os enfrentamentos construídos pelas mulheres Negras, especialmente mães e familiares de vítimas do preconceito racial de Estado.