Muito tempo deveria passar antes que Alvarenga pudesse enviar notícias. Uma demorada travessia marítima o levaria primeiro a Luanda, em Angola, depois seguiria, por terra, até o presídio em Ambaca, no interior. Cartas vindas da África levavam três ou quatro meses para chegar, primeiro aguardando no porto uma nau, depois cruzando o Atlântico, mais uma ou duas semanas para subir a Mantiqueira até Minas Gerais. Veio, então, a tão ansiada carta de Ambaca, escrita por mãos estranhas, comunicando o falecimento do degredado, vitimado por febres tropicais, dias depois de sua chegada. O missivista narrava as palavras cruéis do comandante da fortaleza, que se havia referido ao morto como “o tal Alvarenga, que acabou de perder a única coisa que ainda lhe restava”. Aos trinta e cinco anos, aquela que fora a Bárbara Bela, comparada por um poeta às deusas, era uma infeliz viúva, sem fortuna, de porte alquebrado e olhar melancólico.