Em fins do século XVIII, em Saint-Domingue, onde hoje é o Haiti, as plantações de cana-de-açúcar transformaram a ilha, de colonização francesa, na colônia mais rica do mundo. O açúcar era o ouro doce, e cortar cana, triturá-la e reduzi-la a melaço não constituía trabalho de gente, mas de bicho, como diziam os plantadores. Toulouse Valmorain acabara de completar vinte anos quando foi convocado com urgência à colônia. Ao assumir a administração da habitation Saint-Lazare, o jovem homem de letras, que pensava se dedicar à ciência na França, comprará Zarité, uma pequenina escrava de nove anos, para realizar os trabalhos domésticos. Mas Zarité ? Tété ? nasceu com boa estrela: órfã, recebeu amor paterno do velho escravo Zacharie, que a ensinou a dançar, pois escravo que dança é livre... enquanto dança , e aprendeu com Tante Rose, a mambo e doutora de folhas , os mistérios dos loas e os segredos para curar e amenizar a dor de seus irmãos de cor. Apaixonou-se por Gambo, o belo escravo guerreiro, e com ele conheceu o amor. Teve quatro filhos e um neto. E em toda a sua vida só teve uma única aspiração: a liberdade.