Em Lina e Lygia: dois olhares sobre o patrimônio cultural, Cêça Guimaraens oferece, inicialmente, um panorama da institucionalização e das políticas do patrimônio no Brasil que ela conhece tão bem por sua experiência no campo, em especial na condição de componente do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Interessada pelas figuras que foram moldando a fábrica patrimonial no Brasil, a autora também se detém sobre personagens como Gustavo Barroso, Heloísa Alberto Torres, Carmem Portinho e Lucio Costa. No que tange à análise das trajetórias das protagonistas da obra, Lina Bo Bardi e Lygia Martins Costa, Cêça Guimaraens ressalta as singularidades, a resiliência diante das adversidades e do ambiente dominado por homens, o afinco, o legado. Dá peculiar acento aos entrelaçamentos em Arquitetura, Museologia, Museografia e museus, temas tão caros e que aproximam o seu próprio percurso profissional ao das personagens principais do livro. O exercício de abordar Lina e Lygia, que se construíram a partir de origens, influências e bases conceituais tão diversas, encontra denominadores comuns, como a interdisciplinaridade, a lida com o patrimônio e a busca por inovação. Também em comum está a busca de métodos para atuar no ?jogo-de-construir-o-Brasil?, embora as escolhas sejam distintas. Diferenças que Cêça Guimaraens identifica e evoca na condição de elementos complementares, mas igualmente relevantes e necessárias, tanto quanto este livro, que não pretende esgotar as histórias em torno de Lina Bo Bardi e de Lygia Martins Costa, mas que presta um tributo merecidíssimo a essas ?mulheres do patrimônio?.
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