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Não Existe Acaso No Inferno

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No dia de folga do investigador Bartolomeu Franco, três crianças são encontradas mortas em um galpão abandonado no residencial Milton Friedman, em Cataguases. Os corpos estão maquiados, com as mãos postas, segurando flores de lantana e anéis com a inscrição “Ad immortalitatem”. A investigação leva Bartolomeu e seu parceiro, Cenoura, a um labirinto de corrupção, segredos do passado e um fanático religioso obcecado por um décimo primeiro mandamento. Enquanto lida com a decadência mental do pai e um caso não resolvido do delegado Medeiros, Bartolomeu descobre que o inferno não é lugar para o acaso – e que a imortalidade pode ser uma sentença. A cidade é Cataguases, o tempo é o de hoje, o calor, insuportável – tanto das ruas quanto dos acontecimentos. Três meninos são encontrados mortos em um galpão abandonado numa das regiões mais endinheiradas da cidade, em uma cena do crime montada de forma meticulosa e teatral, com laivos religiosos. Na investigação que se segue, acompanhamos a história do principal investigador da operação, Bartolomeu Franco. O que se destaca neste romance, cuja trama mescla especulação imobiliária com interesses políticos e corrupção policial, é o aspecto humano. Ainda que às avessas. Não espere manifestações de heroísmo, esperança na natureza humana ou belas redenções. O clima aqui é ainda mais árido que o de Cataguases. Bartolomeu se lança de forma obstinada a decifrar o crime. Teima em nadar contra a corrente de uma região onde desde sempre quem dá as cartas é o dinheiro, quando seria muito mais conveniente para ele ceder ao modus operandis do seu meio. A história aos poucos nos leva ao fundo dessa obsessão por justiça, algo que sua falecida mãe pressagiara desde a infância como a ruína do filho. O presságio se concretiza: abraçar a carreira de policial chega como caminho inevitável para ele, mas deflagra a fúria do pai. A tragédia pessoal do pai de Bartolomeu com a polícia – mais um exemplo da desigualdade do tratamento dado aos corpos periféricos – não cala a vocação do filho nem seu senso de justiça, que o impulsionam como uma maldição pessoal. Acompanhamos Bartolomeu enquanto essas forças cavam buracos fundos quase intransponíveis: o afastam da irmã, o alienam do pai, que ele deposita em um asilo, e o deixam despreparado para qualquer encontro amoroso profundo. Tudo ocorre em silêncio, como o próprio crime que ele investiga: cadáveres que deveriam gerar escândalo na cidade, mas que ninguém reclama. E o que está no centro do romance são justamente histórias não reivindicadas, que, parafraseando um dos personagens, passam a feder como carniça. Parecem enterradas, entregues à decomposição definitiva, e nunca o são. Mesclando humor e peso, Vinícius Ferreira constrói com habilidade situações paralelas entre um enredo de suspense bem realizado e o drama de pessoas levadas ao desmoronamento não tanto por circunstâncias externas, mas por pulsões internas bem mais sombrias. Se a história do homem triste é velha, como conclui outra de suas personagens, ainda assim não cansamos de querer ouvi-la. Ana Carol Mesquita
Marca: Não Informado