Nas Ciências Sociais, a participação política do homem do campo na disputa eleitoral é interpretada, divergentemente, por análises políticas e antropológicas. De modo geral, as abordagens focam nas relações entre atores políticos de diferentes classes sociais. No Brasil, a compreensão do comportamento eleitoral da população rural votante, também, se filia ao debate teórico mencionado. E essa controvérsia se materializa num fenômeno singular: o coronelismo. Historicamente, por intermédio dessa manifestação típica na realidade política brasileira, o coronelismo, o objetivo desta análise será entender o que constitui determinante no comportamento eleitoral do homem do campo, na República Velha, no Seridó potiguar. Assim, esta investigação visa identificar qual a essência do coronelismo. O sistema do poder local se caracteriza, fundamentalmente, pela integração vertical dos trabalhadores rurais aos patrões. E o alinhamento vertical entre esses dois atores sociais, os proprietários fundiários e os moradores, delineia uma relação de senhor e subordinado, na qual este segundo elemento sacrifica o alinhamento horizontal de sua própria classe social. Assim posto, esta interpretação expõe a sua concepção fundamental do fenômeno: define-se o coronelismo pela relação social na qual o morador participa da campanha eleitoral, por intermédio da lealdade ao proprietário da terra, com o qual mantém uma relação econômica de parceria, que determina a manifestação do morador ao processo eleitoral, por intermédio do voto de porteira batida.
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