Um buraco negro de estimação. Um pintor atormentado por batatas. Uma criatura de cupim vagueando por um teatro. A luta contra um adversário impossível. Uma invasão ao laptop de Caio Fernando Abreu. O desabafo de uma musa aprisionada. Os procedimentos para uma castração “humana”. Nos contos de “O som que o machado faz ao sair da cabeça”, o insólito se mistura ao cotidiano e o distorce, abrindo fendas inesperadas por onde a realidade escapa — ou talvez seja engolida. Aqui, o estranho não é mero artifício, mas uma lente capaz de revelar o que há de mais inquietante nas certezas que carregamos. Se Kafka escreveu que “um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós”, Gustavo Melo Czekster devolve a pergunta que nunca cessa de ecoar: afinal, que som esse machado faz quando atinge nossas convicções mais profundas? Não há resposta pronta. Só o convite. O som está aqui — à sua espera, entre estas páginas.