A percepção de Hecquard é arguta: a democracia se afirma essencialmente como uma negação das comunidades naturais e, sobretudo, da natureza como ordem divina (isto é, dotada de finalidade), e, por isso mesmo, consiste num emaranhado de contradições e aporias. Porém, \"quantos eleitores leram O Contrato Social de Rousseau? Quantos terão refletido, ainda que por um mero instante de sua existência, acerca do que é um direito humano?\" Nem \"por isso, democracia deixa de ter um sentido para eles. Mas qual?\", indaga nosso autor. Ao que responde: \"A morte de Deus deixa um vazio na alma humana, as necessidades do coração permanecem, [...]. A democracia preenche esse vazio. Ela foi concebida para isto desde o começo: A Revolução não adotou nenhuma Igreja. Por quê? Porque ela própria era uma, [...]\". Assim, nada obstante sua falta de consistência e, aliás, até mesmo por causa dela é que a democracia, na modernidade, continua a mover os espíritos: é como miragem que ela os impele. Marca: Não Informado