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Os Pecados de Whitechapel

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Londres, 1895. Dois anos após os assassinatos que marcaram Whitechapel para sempre, a cidade volta a estremecer quando o corpo do padre Philippe é encontrado brutalmente mutilado dentro de uma igreja católica. O crime não apenas reacende o medo coletivo como expõe a ferida que a moral vitoriana insistiu em esconder sob tapetes de veludo e discursos respeitáveis. O caso cai nas mãos do inspetor Arthur Mahood, um homem respeitado pela polícia, irrepreensível em público e profundamente falho na vida privada. Filho de uma cozinheira irlandesa, criado entre aristocratas, Mahood construiu uma carreira sólida à custa de silêncios, omissões e afetos mal resolvidos. Casado, pai de dois filhos, divide-se entre a rotina doméstica fria e os becos de Whitechapel, onde mantém uma relação clandestina com Belle White, dama culta e perspicaz, sua confidente involuntária. À medida que a investigação avança, Mahood mergulha nos subterrâneos da cidade: bordéis masculinos, círculos artísticos, escândalos abafados pela elite e pela própria polícia. Nesse submundo, surgem figuras históricas reais e membros da aristocracia britânica, revelando uma Londres onde o pecado privado sustenta a moral pública. No centro dessa espiral está Artie Mahood, seu filho mais novo. Um jovem introspectivo, criado à margem do afeto paterno, marcado pela rejeição, pela solidão e por um desejo desesperado de pertencimento. Enquanto o pai procura um assassino nas ruas, ignora o que cresce dentro de casa: a consequência direta de sua ausência. Narrado em primeira pessoa pelo próprio inspetor, Os Pecados de Whitechapel não é apenas um romance policial comum, onde você deverá decifrar quem matou?. É uma confissão tardia, um mergulho na culpa, na sexualidade reprimida, na hipocrisia religiosa e na violência que nasce do abandono emocional. A pergunta que conduz a narrativa é quem falhou?. Porque, em Whitechapel, alguns crimes não começam com uma lâmina, mas com o silêncio de um pai.