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Livro - Serrote - Volume 12

(Cód. Item 1776322)

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A 12ª edição da serrote, revista de ensaios do Instituto Moreira Salles, chega às livrarias no dia 29 de outubro. A ilustração da capa da quadrimestral é de Lynd Ward (1905-1985), um dos fundadores da graphic novel americana. E é também de autoria deste gênio o ensaio visual da revista com 16 xilogravuras publicadas originalmente em Gods’ Man: A Novel in Woodcuts (1929). A trajetória de Ward é contada em Milhares de palavras sobre livros sem palavras, texto de Art Spiegelman, um dos mais importantes artistas gráficos do momento. “Gods’ Man introduz o romance em xilogravuras e Lynd Ward nos Estados Unidos, e permanece sendo o mais emblemático e popular de seus seis livros publicados no gênero”.



Robert Warshon (1917-1955) foi um dos mais influentes e menos conhecidos críticos culturais americanos do século 20. É autor do clássico O gângster como herói trágico (1948), texto até então inédito em português que faz ver em tipos como Scarface o protótipo do sonho e das frustrações americanas.



O poeta e ensaísta americano Wayne Koestenbaum enumera todo e qualquer tipo de humilhação. “Repetidas vezes assisto aos clipes de Liza Minelli no YouTube. Quero vê-la se humilhar. Quero vê-la sobreviver a essa atroz experiência, que ela transforma em glória”. Desenhos de Louise Bourgeois (1911-2010) ilustram as impiedosas constatações. 



Em outro ensaio visual, a quadrimestral do IMS publica um conjunto de imagens pintadas à mão que deu origem a Árvores pintadas, série que sintetiza o trabalho de Tacita Dean, projetado internacionalmente pelo Turner Prize de 1998, em que se destaca o cruzamento do cinema, da fotografia e do desenho. A artista, que nasceu na Inglaterra e vive e trabalha em Berlim, começou colecionando cartões-postais de troncos deformados e, mais tarde, passou a fotografar árvores centenárias no interior inglês. Difícil não acreditar que as pinturas de Dean não são fotos.



O professor de literatura em Princeton Pedro Meira Monteiro disseca na serrote #12 a polêmica entre Caetano Veloso e Roberto Schwarz, que há poucos meses publicou um ensaio sobre o livro do baiano, Verdade Tropical. No texto, Schwarz reconhece a qualidade literária do cantor e compositor, mas identifica em Caetano uma perda de engajamento, como se ele tivesse cedido ao apelo do mercado e da cultura de massas. E dinheiro é o tema das obras de Cildo Meireles que acompanham o texto.



É também baseada na lógica do mercado a parábola do cineasta alemão Alexander Kluge que a revista publica em sua 12ª edição. Na pequena história de ficção, o sêmen do filósofo Nietzche foi guardado por sua irmã e pode ser usado para reprodução na África ou em São Paulo.



Contra os poetas, de Witold Gombriwicz (1904-1969), é “uma joia perdida”, segundo o editor da serrote Paulo Roberto Pires. O texto reflete a solidão radical do autor que, escrevendo em polonês entre a Argentina e a França, fez da deriva modo de vida e de criação.  Obras do artista paraense Emmanuel Nassar, da série Chapas, acompanham o ensaio.



O professor da Universidade de Newcastle upon Tyne, na Inglaterra, Lars Iyer provoca: mesmo diante de uma inflação de autores e de leitores, a literatura é um cadáver que já esfriou. As fotos que acompanham o texto são do espanhol Eduardo Outeiro Ferreño e fizeram parte da exposição Cabañas para pensar, que documenta os lugares onde escritores e artistas buscaram isolamento para criar.



No ensaio Viagem à roda de uma dedicatória, Paulo Roberto Pires vê parte da história do ensaísmo brasileiro como fruto da relação de Alexandre Eulalio e Roberto Schwarz. O texto é ilustrado pelos Estudos de cor (1976) do artista americano nascido na Alemanha Josef Alber (1888-1976).



Uma cultura de trocas e remixes: essa é a ideia principal de Jonathan Lethem no ensaio em que argumenta que a propriedade intelectual minimiza o papel fundamental que apropriação, citação e alusão têm no próprio ato criativo. Publicado originalmente em 2007 na Harper’s Magazine, este ensaio, inédito em português, tornou-se uma referência no debate sobre a cultura de colaboração.



Dez (possíveis) razões para a tristeza do pensamento, escrito por George Steiner, trata do conflito entre a capacidade infinita de refletir e os diversos limites da existência. Sete linogravuras do alemão Gerhard Richter, que fazem parte da série Elbe (1957), ilustram a melancolia inescapável atribuída ao homem, defendida por Steiner.



No alfabeto serrote: o poeta e ensaísta americano Eliot Weinberger desbrava a palavra/cor azul; já o branco é tema do verbete escrito pelo japonês Kenya Hara, referência no design mundial e diretor de arte da cadeia de lojas Muji; e a fotografia é definida pelo crítico, curador e historiador da arte Jean-François Chevrier.