O que é uma mentira? É lícito mentir? Existe alguma situação em que a mentira pode evitar um mal maior? Santo Agostinho explora essas questões sob a perspectiva da filosofia e, como é característico do seu pensamento, também dentro do contexto teológico. O opúsculo começa com uma análise detalhada das definições, prosseguindo para uma tipologia de oito tipos de mentiras, destacando a gravidade de cada uma, e ainda apresenta uma breve reflexão ética sobre a gravidade do ato de mentir. Este opúsculo, escrito em 395, o ano em que Agostinho foi consagrado bispo de Hipona, é considerado uma obra da sua juventude. Ele próprio o incluiu entre seus escritos mais importantes, pois \"contém muito do que é útil para o exercício da mente e ainda mais proveitoso para a moral, suscitando o amor pela verdade\". Agostinho de Hipona (354430) nasceu em Tagaste, atualmente na Argélia, filho de Patrício, um homem pagão e rico que se converteu no final de sua vida, e de Mônica, uma cristã que foi canonizada mais tarde. A leitura de Hortensius, de Cícero, despertou em Agostinho o interesse pela filosofia. Cada vez mais inclinado ao cristianismo, ele viveu um longo conflito interior, estudou os filósofos neoplatônicos, renunciou aos prazeres da carne e foi batizado por Santo Ambrósio em 387. Impulsionado pelo ideal da ascese, fundou um mosteiro em Tagaste, onde nasceu, e posteriormente tornou-se padre e bispo em Hipona. Ele escreveu inúmeras obras de grande importância para a Igreja e a cultura ocidental, como "A Cidade de Deus", "Confissões", "Solilóquios", "Sobre a Trindade" e "Sobre a doutrina cristã".